jan 25

Meu avô foi um cara diferente. Tinha peculiaridades engraçadas. Me arrisco a dizer que foi um dos maiores compradores de todos os tempos. Comprava moedas, milhões de moedas, parafina e colecionava coisas de extrema importância para sua vida. Um homem que torrou heranças e que viveu intensamente. Um cara diferente. Hoje ele descansou. Mas em sua vida jamais jogou a toalha. Estava sempre com um negócio imperdível que iria mudar o planeta.

Meu avô tinha vontade. Vontade de fazer. Deve ser por isso que ficou tanto tempo por aqui. No fundo, era um sábio. A pessoa conseguir no fim da vida ter vontade é de, alguma maneira, conectada com uma coisa diferente.

E, pensando em quem ele foi, vou citar uma frase do Arnaldo Jabor: “Meu avô não era ninguém, mas nunca existiu ninguém como meu avô”.



jan 22

Gostaria de tentar entender o que um homem que fala para uma mulher que está passando: “Delícia de picanha!”, está pretendendo?

Será que ele acha que assim vai conquistar seu coração? Ou vai ter uma deliciosa noite de sexo?

O que me parece é que o cara tem uma crença na rejeição e tudo o que ele espera com essa pérola é ser ignorado. Porque ele é capaz de despertar na gente um ódio adormecido que poderá ser jogado nele:
“Pena que você só merece carne de segunda! Vai lá pra tua casa e encara o coxão mole que te espera! E, tenho certeza que, o coxão mole vai te abandonar! Porque você é um bostão!”

Porque ele não fica quieto? Todo mundo pensa muita merda, pensa coisas surreais, mas cada um deve guardar as asneiras em seu compartimento craniano.

Não precisamos compartilhar merdas e coisas esdrúxulas.

Você conhece algum homem que se deu incrivelmente bem numa cantada?

Depois de chamar a moça que caminhava em sua frente de “delícia de picanha”, Severino conquistou totalmente Sheila, que ficou muito satisfeita de não ter sido chamada de carne moída.

Muitas vezes a cantada é tão sem noção que vai para um lugar da surrealidade que até diverte.

Escreva aqui pra gente uma cantada e vamos sortear 2 convites da peça para sábado, dia 28, aqui em Salvador!



jan 16

O aeroporto é a nova rodoviária. Nas minhas últimas viagens percebi que, a única coisa que muda nessa história de viajar de avião ou ônibus, é a distância.
Nos aeroportos não têm mais lugar para sentar, as pessoas projetam a voz e chamam “os fio” como quem não pensa no amanhã, as pessoas não primam mais pela higiene pessoal, os cecês são sentidos como num estádio de futebol, uma catinga muitas vezes vista somente em vestiários masculinos depois do treino, que agora pode ser inalada nos aeroportos da vida. E os piriquito, os frango, as sogra, os Cleito, as Clayciane, enfim, a globalização unificou o mundo. As Maria Helenas estão juntas com as Jeniifers Carolines.

As aeronaves são apertadas e todos têm muita pressa. As pessoas correm para a fila, reclamam na fila e correm para entrar. Elas poderiam ficar esperando a fila acabar e, tranquilamente, seguir rumo ao interior do aglomerador de cheiros ambulante.

 

As aeromoças não estão tão maquiadas e já não têm muita paciência para educação. Elas falam “bom dia” como se estivessem no almoxarifado, contando a entrada do “estoque”.

As aeromoças dão broncas nos passageiros. Hoje presenciei uma dando um totó na cabeça do rapaz que dormia como um porco e não colocou o assento na posição vertical. Ela deu um “tobias” no cara.

E agora temos que pagar o lanchinho. Deus, onde vamos parar? Aquele lanche sem sabor e a aero-garçonete com a maquininha do cartão.

-São dez reais senhora.

-Dez reais pelo bolinho sem gosto? Posso pagar como?

-Somente em dinheiro ou cartão. Obrigada. (fala como se fosse uma espécie de robô e dificilmente olha nos seus olhos)

Os pilotos, de vez em quando, querem ser engraçadinhos e soltam piadas quando dão os avisos que a gente quase nunca entende. E a tripulação ri. Acho que eles riem porque pensam que o piloto poderia ficar deprimido e, sei lá, suas vidas estão na mão do piadista, então rir da piadoca pode valer a vida. Ok, está valendo.

Aí o avião pousa. E os desesperados soltam os cintos ao mesmo tempo e se levantam. Se levantam para ficarem amontoados durante um tempo até as portas se abrirem.

E, quando dou por mim, tem uma bunda na minha cara. Uma bunda enorme que não só está perto de mim como esbarra no meu nariz.

É… Acho que é hora de descer.

Pensa que acabou? Não! Tem o momento mala. Onde as pessoas disputam os espaços com cotoveladas e esbarrões seguidos de: “desculpa”. Mas foi de propósito, afinal ele precisa de um lugar na beira da esteira senão sua mala derrete.

Se o aeroporto é mesmo a nova rodoviária, imagino que a rodoviária deve ser o novo pau de arara.

As distâncias não importam porque uma hora a gente chega. Hoje compreendo muito mais os andarilhos principalmente pelo fato deles se manterem distantes desses ansiosos viciados em filas, odores, cotoveladas e aglomerações.



jan 14

A temporada de verão em Salvador no Teatro Módulo na Pituba já começou. Sextas e sábados às 21h e domingos às 20h.
O público de Salvador é maravilhoso! Muito bom fazer aqui!

A revista GQ deste mês já está nas bancas com o Daniel Craig na capa. O texto do mês é sobre vaidade masculina e seus limites.

Escrevi também um texto na revista Gloss sobre a cabocla que mora dentro da gente e sai do nosso corpo na hora do sexo e senta no pufe ao lado da cama… Jesus…

E só para constar, acabei de acabar com uma pota de batata frita. Até mais.



dez 24

Feliz Natal! E que, além de apocalíptico, 2012 seja um ano incrível para quem não ficar louco…

Vamos tirar umas férias por aqui e a partir do dia 13 de janeiro tem “Confissões das Mulheres de 30″ no Teatro Módulo em Salvador!!! Temporada de verão até 31 de março, sextas, sábados e domingos!!!

A vida é bela sempre! As coisas só tem o lado bom! Porque mesmo se estiver ruim, na verdade, está bom.
É assim que temos que começar 2012! Feliz! Felizes!



dez 21

O Natal está chegando!
E aí? Hein?
Depois de trabalhar pra caramba o ano inteiro, tenho que correr porque o Natal, me parece, vai ser mesmo no sábado e eu tenho que organizar a festa na minha casa, comprar os 444 presentes, organizar desavenças, enfim, não tenho nem tempo de me depilar. Juliana macaco Araripe, esse nome seria mais adequado no momento.
Só faltam alguns presentes. Ufa. Já comprei o do meu viralata, falta o do meu labrador e do meu coelho. Nunca comprei um presente para um coelho antes, como todo mundo vai ganhar, achei que ele poderia ficar deprimido. E seria demais aguentar a depressão natalina do Popi.

Achei um presente pro seu Adilson, o guardinha da minha rua, fiquei superbem com isso. Ele vai adorar, é a cara dele.
Têm uns presentes que não fazem sentido. Tipo eu sinto e dou. Comprei uma gaita para o sobrinho do primo do namorado da minha mãe. Por quê? Não sei. Achei que tinha a ver, senti, não julguei e comprei. Tudo bem, nesse caso, acho que seria melhor eu ter julgado. O cara vai ganhar a gaita e quando abrir o presentão vai fazer aquela cara de que adorou-azeda. Uma cara de bunda meio suja. Mas eu me divirto e isso não tem preço. E sempre compro um berimbau. E, quem fica mais chato na festa ganha. É uma vingança silenciosa. O cara enchendo o saco de todo mundo o jantar inteiro e eu pensando: “Tudo bem, está tudo certo. Já, já você vai ganhar seu berimbau”.

As tias Consuelo, Solange e Miriam falam mal de todo mundo e de como o Marcelinho, porque está ganhando dinheiro, não liga mais para família.

Ganhei muitos brindes esse ano que já estão embrulhados. Vou passar adiante e fazer bonito com o pessoal. Viva os brindes!

Natal! Na verdade o Natal já era. As pessoas compram os presentes loucas e sem saco nenhum. Elas cumprem tabela. Todo mundo reclama e ninguém faz nada a respeito. Todo mundo fica de saco cheio e na hora da festa estampa o sorriso Narcisa Tamborindeguy e vai. Bebe muito. E assim mais um Natal se passa com o inseparável tarja preta. Bebida + tarja preta = sou muito louco mesmo e fora do tom porque estou eufórico de felicidade! Úhu!

Eu resolvi que não tenho mais obrigação com nada. Só vou fazer o que realmente estou a fim. Pronto!

Vou andar para frente. Sei que muitas vezes tenho que dar um ou dois passos para trás. Mas sabe o que eu percebi?  Que mesmo indo para trás não tem como voltar porque é sempre um novo passo.



dez 14

Minha filha de 7 anos e eu tomando café da manhã.

- Vamos ao cinema, mãe?

- Vamos filha. Que filme você quer ver?

- Não sei.

- Olha aí no jornal, no caderno de cultura.

- Gato de Botas já vimos… Pode ser esse aqui?

- Qual?

- Bruna Surfistinha. Deve ser legal porque eu adoro mar! Vamos, mãe?



dez 9

Uma pessoa não pode se chamar Consuelo e ser um bebê. Acho que as Consuelos já nascem adultas.

Era só isso mesmo. Bom final de semana!



dez 4

Entrei no taxi corsa porque estava com pressa. Quando entro num taxi, normalmente escolho melhor. Mas estava correndo porque tinha um monte de coisas pra fazer.

-Boa tarde. Vamos para a Berrini.

O Taxi andou um pouco e o taxista perguntou:

-A senhora está doente?

Antes de responder, engoli minha raiva por ter sido chamada de senhora. Sei que o taxista tinha razão, mas minha mente continua sem noção.

-Um pouco resfriada.

-A senhora tem sinusite?

-Um pouco.

-Vou dizer uma coisa pra senhora. Conhece bucha?

-Conheço. Fui apresentada há alguns anos quando andava descalça e meu pé se assemelhava ao carvão que fazia os churrascos da minha família.

-Compra uma bucha e ferve ela na água, deixa ferver bastante, aí a senhora cheira, inala mesmo com a cara enfiada na panela, faz todo dia que a sinusite melhora.

- Oi? Não entendi. Estou super burralda ultimamente, vou tomar ácido fólico.

- A senhora toma ácido?

- Tomava mais na gravidez, depois parei.

- Ah tá.

- Mas voltemos à bucha. Não entendi, fervo a bucha e fico cheirando?

- Sim, vai melhorar.

Saí do taxi. Caminhei um pouco afinal, a partir daquele dia, teria que cheirar buchas toda manhã.

Só cheirando buchas melhoraria minha sinusite. Vejá só. Que remédio caro que nada. Eu não precisaria mais ir à farmácias gastar meu dinheiro e nem conviver com farmacêuticos, agora sim eu poderia ser completamente feliz.

Entrei em casa, fervi a bucha que comprei na Amazônia e cheirei muito.

Meu nariz desentopiu.

Alívio.

Aí, fiquei imaginando o que teria acontecido se eu tivesse fervido minhas calcinhas, as meias e as cuecas do meu marido.

 



nov 30

Pela primeira vez no Brasil, o evento GQ Men of The Year, aconteceu no Copacabana Palace, Rio de Janeiro. Fomos convidadas para apresentar o vencedor do prêmio na categoria ator e tivemos o imenso prazer em participar ao lado de tanta gente talentosa. O ganhador, Selton Melo, é a capa do mês de dezembro. A revista está incrível e a nossa coluna é sobre sinceridade e como ela pode destruir sua vida sexual.

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