Eu sempre tenho que alguma coisa.
Eu tenho que ir, tenho que fazer, tenho que falar, comprar, levar, deixar, emagrecer, conseguir, lembrar, ganhar, todos os dias eu tenho muitos tenhos.
Ultimamente não consigo ficar nenhum dia sem ter que. Ter que o tempo todo.
São tenhos demais. Muitos tenhos demais para uma só pessoa realizar.
Além de todos os tenhos diários, eu tenho que viver, não é? E sentir… E ser feliz… E existir plenamente…
Existir sem ter que nada.
Hoje é segunda-feira e eu vou usar para fazer alguma coisa boa, mesmo que seja quase impossível – segundas são complicadas, né? Vou tentar não ter que nada. Vou só existir por aí.
Na verdade, se eu não fizer tudo o que tenho que fazer, não vai fazer a menor diferença para a existência. Não muda nada. Nada. Tudo fica do mesmo jeito. Se eu fizer, ou não, os meus muitos tenhos, a vida continua exatamente assim.
Hoje não vou ter que nada. Vou fazer que nem o Zeca Pagodinho e deixar a vida me levar. Antes, tenho que dar almoço pra minha filha e levar a linda criança para a escola. Depois, é nóis na não terança.
Não vou ter que nada e nem querer nada. Vou ficar aqui. Quieta. Vendo o que acontece…