Não adianta. Independentemente de como está minha vida, na TPM, é assim que eu me sinto. Na verdade, tenho absoluta certeza de que sou assim. Exatamente assim. E, quem me diz que eu estou ótima, está mentindo para não me magoar. Ninguém poderia ser sincero neste momento. E, tenho certeza, que a imagem não é vista apenas pelos meus olhos. O espelho, infelizmente, não mente. 
Outro dia tive que ir a um velório…
Ninguém é obrigado a ir a lugar nenhum, isso não existe. Mas velório não é, digamos assim, um lugar em que gosto de estar. Fui porque gostava muito da filha da morta. A morta mesmo eu não conhecia direito e, sinceramente, não liguei muito não.
Mas a filha dela é uma pessoa que eu adoro e fui dar “aquela força”. Dizer as coisas incríveis que falamos quando morre alguém: “Foi melhor assim”, “Agora ela está bem”, “Pelo menos ela não sofreu” e uma das melhores: “Ela foi tão rápido, isso significa que não era apegada, de alguma maneira, estava preparada”…
Todos estavam muito tristes e, como eu não estava, fiquei reparando naquilo tudo e cheguei a uma conclusão: velório é um grande encontro!
Minha amiga e seu irmão, se cutucavam e diziam coisas. Falavam como o tio Marcos estava envelhecido e como o novo marido da tia Carmem tinha jeito de pederasta.
Muitas pessoas compareceram, chorando muito até, mas não se viam há anos.
Minha amiga encontrou os primos, deu umas gargalhadas no meio “das choradas”, viu ex-namorados, amigos, tios e até o sobrinho preferido do seu avô, que se distanciou da família por suas diferenças… Mas como morte é morte, naquele momento ele sentiu que tinha que estar lá. Para dar um abraço, assim como eu.
Muitas pessoas estavam tão tristes que parecia que a Dona Vanda, a falecida mãe da minha amiga, tinha uns 40 filhos e não dois.
As pessoas usam os velórios alheios para chorar suas mágoas. Já que estão num velório e há uma tristeza por aquela morte, aproveitam e choram todas as suas mazelas. Choram pela falta de realização, choram pela recente separação, choram até mesmo por chorar, lavar a alma, por que não? No caixa do supermercado isso pega mal, mas num velório, não.
E, por que as pessoas não se encontram durante a vida?
Uma senhora muito distinta chamada Marisa chorava muito. Disse que há dez anos não via a Vanda, mas que falou com ela no Natal passado. Contou histórias das duas e nitidamente estava abalada. Triste mesmo. Mas, se ela gostava tanto assim da Vanda, por que não se encontrava com ela? Sei, pela correria da vida… Mas a correria da vida não a impediu de estar ali, se encontrando com a Vanda pela última vez…
As pessoas não se encontram mais.
Quantas pessoas você ama profundamente e não vê há três, cinco anos?
Se você leu este post até o fim, ligue para uma pessoa que você ama e se encontre com ela. Mate as saudades.
A vida é breve, isso é uma verdade. E, as relações que construímos de verdade permanecem apesar disso, mas podem ser bem mais divertidas e desfrutadas se nos esforçarmos pra nos encontrar com quem amamos….
A vida inteira escutamos dos nossos pais: seja sincero, fale a verdade. Não minta. Se você mentir, seu nariz vai crescer. Não é à toa que as mulheres fazem tanta plástica no nariz. Ter nariz grande, no subconsciente, fica feio pelo fato de nos remeter ao personagem narigudo filho do Mestre Geppetto.
Não queremos que nossos filhos sejam mentirosos, mas não venha com aquela “sincerite aguda” pra cima da gente, porque ficamos magoadas.
É isso que você não compreendeu mesmo: você não pode mentir, mas também não tem como ser totalmente sincero.
Na cama, nunca, de modo algum, diga como sua ex-namorada era realmente gostosa. Acredite, mesmo que estejamos perguntando, não podemos saber a verdade, não temos estrutura emocional/psicológica para isso.
E, quando xingarmos uma mulher de piranha, nunca, jamais, diga pra gente que isso, pra você, é um elogio. Quando dizemos “Aquela mulher é uma vagabunda”, você pensa: “Delícia”. Mas, se a gente perguntar “Não é um absurdo o que ela faz?”, minta. Deslavadamente, sem pestanejar, e ajude a xingar a tal mulher. E, quando perguntarmos se você acha que ela é gorda, não responda que ela é gostosa, entendeu? Porque isso vai ficar nas profundezas da sua mulher, e, no meio do ninho de amor de vocês, no silêncio da noite chuvosa, ela se lembrará do que você disse e ficará com muita raiva e, de uma maneira inconsciente-quase-consciente, descontará em você no meio da transa. Ela pode chorar dizendo que não está feliz ou até mesmo dizer que você precisava comê-la mais vezes, que a vida sexual de vocês está morna ou que na Páscoa de 2010, naquele almoço de família, ela não gostou nada da maneira que você tratou sua tia Marlene. Tudo isso por conta da gostosa…
Quando perguntarmos se você acha que estamos um pouquinho mais gordas, minta! Mesmo que estejamos sendo totalmente condescendentes com nosso corpo, que no momento tem uma massa adiposa de mais de dez quilos, finja que não reparou e elogie deslavadamente. Nossa performance melhorará substancialmente e, no fim, vai ser melhor para você. Acredite.
No escurinho do leito matrimonial, na cama, poderemos dizer “Estou cheia de celulite. Olha. Está vendo?” E você, com a cara de pau que Deus lhe deu, responderá: “Não percebi”. E a gente insiste, porque somos loucas: “Não disfarça, Pedro Paulo. O que são esses furos aqui na minha bunda?” Pedro Paulo, tentando sobreviver: “Covinha. Tem gente que tem no rosto, você tem na bunda, ué. Aliás, sua bunda é muito simpática: quando você anda, ela sorri”. Mesmo que nossa bunda esteja gargalhando de tão simpática, mude o foco, feche os olhos. Afinal, pinto não tem olho. Taí uma coisa inteligentíssima que Deus fez pela humanidade. Feche sempre os olhos e vá com fé, meu camarada!
Nunca, jamais, em hipótese nenhuma, reclame do nosso cheiro. Sabemos que às vezes fede a bacalhau, mas você pode carinhosamente propor um banho a luz de velas, nos arrastar pro chuveiro e deixar o bacalhau de ontem se transformar numa truta saindo do forno.
Se sua mulher disser “Meus peitos estão caídos demais. Quando eu deito, eles se espalham”, uma resposta sincera seria: “Acho que você deveria começar a passar desodorante nos mamilos, querida”. Mas, se você for dar sempre sua verdadeira opinião, sofrerá as consequências depois. A mulher funciona como o DEOPS, cujo objetivo sempre é controlar e reprimir movimentos políticos e sociais contrários ao regime no poder. Sacou? Diga que acha os seios de silicone falsos e que parecem de mentira. E mais: você tem aflição de cicatrizes, não é?
(texto publicado na Revista GQ)
Seu amigo Marcão é camarada! Vocês falam de futebol, carros, mulheres e suas bundas, sobre o seu trabalho, o trabalho dele, falam da chatice da sua mulher e de como ela não para de pegar no seu pé, falam da amante, da trepada, até de Deus… Que loucura! O Marcão é sua alma gêmea! Mas, como você não é homossexual, optou por ter uma mulher.
Sinceramente, não sei se foi uma boa escolha. Afinal, além de sermos verborrágicas, temos TPM que, na verdade, significa: tempo para matar. Matar você, ãh?
Então, quando você está na cama com sua mulher, não pode se esquecer desse pequeno detalhe: ela não é o Marcão! Chamá-la de “mano”, “brother”, “cara”, “veio” ou qualquer coisa camarada, na hora do ato sexual, a deixará com problemas hormonais complicadíssimos. Assoar o nariz segurando uma narina e “jateando” o conteúdo da outra narina para fora, soltando aquele buscapé ou cuspir aquela catarreira como só você sabe fazer são coisas que têm que ficar pro seu camarada Marcão. Isso só é hilário pra vocês; nós temos nojo de meleca e não apreciamos a maneira pela qual você se especializou em cuspir longe e na direção que quiser porque faz treinamento intensivo. E, na hora em que estivermos embaixo de seu corpo suado, vamos lembrar do cuspe/meleca – e isso dificultará nossa concentração. Um nojo-raiva-mal-educado-como-ele-é-grosso se instalará dentro de sua mulher, junto com a sua penetração, e ela ficará literalmente lotada. E o que está cheio transborda, sacou?
Tem dias em que o sexo fica mais selvagem. Gostamos disso. Essa empolgação nos deixa calmas, e ficar calma sem remédio não tem preço. A cama vai parar do outro lado do quarto de tanto que movimentou, os lençóis se embolam no chão, o colchão com desenhos cafonas aparece, os vizinhos escutam e você tem que fazer cara de equilibrado no outro dia, mas e daí? Está bom pra caralh… mba! E nessa loucura você resolve dar tapas. O tesão está rolando e superfunciona. Tapas na bunda. Tudo certo. Estamos com tesão, vam’bora! Aí, você se empolga… Bate na coxa. Tapa na cara de um lado, opa, do outro… E perde a noção de sua força… Não somos o Marcão! Você pode bater, mas não com tanta força, porque machuca porr… xa! Sua “semnoçãozice” tem limite. Sua mulher pode chorar na cama e dizer que você bateu nela: “Você me agrediu, Ricardo Jorge. Se está chateado comigo por alguma coisa, não deveria descontar assim”. Aí, já viu onde isso vai parar, né, Ricardão?!
É legal até olhar o nosso braço no outro dia e curtir os hematomas, mas não é bacana ir à padaria comprar brioche e o padeiro perguntar se sofremos um acidente. “Sim, seu Claudemiro, eu estava no sítio e fui atropelada… por um trator. Fiquei na UTI uns dias, mas agora estou ótima. Manda um abraço para dona Cleusa”.
Podemos ser superparceiros. Além de amantes/namorados, pode rolar uma amizade verdadeira, mas, por mais que você goste da gente como “brother”, não se esqueça nenhum momento de que não somos o Marcão!
(texto publicado na revista GQ)
Minha amiga, Josie, me contou uma história muito da fofa…
Ela estava tomando banho com uma sobrinha pequena. Sua sobrinha parou os olhos nos, digamos assim, seus pelos pubianos. Ficou olhando intrigadíssima e perguntou:
- Por que você tem pelos aí?
As crianças reparam nas coisas e são capazes de perguntar tudo com a maior naturalidade. Minha amiga respondeu:
- As mulheres, quando ficam adultas, têm pelos aqui. Eles servem para nos proteger. Quando você crescer, também vai ter.
Sua sobrinha fez um longo silêncio, e, olhando fixamente para os pelos da tia, suspirou e disse com desdém:
- Mas os meus, eu vou pentear!
Estava no clube ontem de manhã, morrendo de sono, esperando minha filha sair de uma aula de dança. Meu mau-humor estava bombativo e meu rosto totalmente amassado pelas minhas olheiras. Parei para tomar um café.
Estava quase em estado vegetativo. Uma mulher me olhou e disse:
-Ser mãe é foda. A gente só espera…
Olhei para ela e dei um sorriso amarelo/marrom.
Tomei meu café, comi um pão de queijo e peguei um bubbaloo. Podem falar o que for, não tem chiclete melhor que bubbaloo! A combinação café + pão de queijo + bubbaloo = me deu condição de ser alguém às 8h e pensar sobre a espera.
Beckett certamente se inspirou numa mãe para ter a ideia de “Esperando Godot”.
Vladimir e Estragon esperam por Godot. Samuel Beckett, de alguma maneira, sei lá, em seu inconsciente, estava homenageando às mães neste texto.
O texto não tem nada a ver com as nossas esperas de todos os dias, mas quando você começa a ser mãe, se inicia uma fase de saber aguardar. Nossa primeira grande espera. Ficamos na expectativa dos nove meses, um período de conexão, estranheza e esperança. E a inauguração de um estado que vai nos acompanhar por muitos e muitos anos como mãe: a espera.
Saímos do estado de protagonista da nossa vida e passamos a ser antagonistas da vida do ser que vai mover nossas vidas pelo resto da vida.
E por isso, nos tornamos seres melhores e mais pacientes. E aprendemos com isso. E com o tempo, percebemos que podemos esperar fazendo alguma coisa.
Para atenuar uma espera, a das aulas de dança da minha filha às terças e quintas, me matriculei na academia do clube. Vou aguardar, mas com dignidade, queimando umas calorias. Proatividade é isso, nada mais.
Ser mãe é esperar. Esperar também o dia em que nossos filhos seguirão seus próprios caminhos e, supostamente, não teremos mais que esperar. Mas sempre esperaremos sua visita. Ansiosas e cheias de saudade.
Ser mãe é um estado de espírito. Estamos sempre prontas para eles, não tem jeito. E quando eles se forem de vez, nosso ninho vai ficar vazio.
Mas a vida é boa. Eles voltam e trazem os netos. E assim começaremos outra espera, mais madura e mais tranquila.
Ao contrario de Godot que nunca chega, nossas crianças chegam e se vão todos os dias. A vida sem espera não tem graça. Beckett sabia disso e nunca deixou Godot chegar. E, assim como as personagens da peça, somos capazes de esperar eternamente. E, mesmo mudando tanto, continuamos sempre no mesmo lugar. No único lugar onde o amor é total. Onde o amor acontece de verdade.
Calú, minha filha, obrigada por me fazer te esperar, minha vida se completa com as suas voltas. E, o dia que você for seguir a sua história, meu amor continuará aqui sempre, te esperando…
Falando da nossa peça “Afrodite já tinha Celulite” no programa do queridíssimo, Ronnie Von.



