O aeroporto é a nova rodoviária. Nas minhas últimas viagens percebi que, a única coisa que muda nessa história de viajar de avião ou ônibus, é a distância.
Nos aeroportos não têm mais lugar para sentar, as pessoas projetam a voz e chamam “os fio” como quem não pensa no amanhã, as pessoas não primam mais pela higiene pessoal, os cecês são sentidos como num estádio de futebol, uma catinga muitas vezes vista somente em vestiários masculinos depois do treino, que agora pode ser inalada nos aeroportos da vida. E os piriquito, os frango, as sogra, os Cleito, as Clayciane, enfim, a globalização unificou o mundo. As Maria Helenas estão juntas com as Jeniifers Carolines.
As aeronaves são apertadas e todos têm muita pressa. As pessoas correm para a fila, reclamam na fila e correm para entrar. Elas poderiam ficar esperando a fila acabar e, tranquilamente, seguir rumo ao interior do aglomerador de cheiros ambulante.
As aeromoças não estão tão maquiadas e já não têm muita paciência para educação. Elas falam “bom dia” como se estivessem no almoxarifado, contando a entrada do “estoque”.
As aeromoças dão broncas nos passageiros. Hoje presenciei uma dando um totó na cabeça do rapaz que dormia como um porco e não colocou o assento na posição vertical. Ela deu um “tobias” no cara.
E agora temos que pagar o lanchinho. Deus, onde vamos parar? Aquele lanche sem sabor e a aero-garçonete com a maquininha do cartão.
-São dez reais senhora.
-Dez reais pelo bolinho sem gosto? Posso pagar como?
-Somente em dinheiro ou cartão. Obrigada. (fala como se fosse uma espécie de robô e dificilmente olha nos seus olhos)
Os pilotos, de vez em quando, querem ser engraçadinhos e soltam piadas quando dão os avisos que a gente quase nunca entende. E a tripulação ri. Acho que eles riem porque pensam que o piloto poderia ficar deprimido e, sei lá, suas vidas estão na mão do piadista, então rir da piadoca pode valer a vida. Ok, está valendo.
Aí o avião pousa. E os desesperados soltam os cintos ao mesmo tempo e se levantam. Se levantam para ficarem amontoados durante um tempo até as portas se abrirem.
E, quando dou por mim, tem uma bunda na minha cara. Uma bunda enorme que não só está perto de mim como esbarra no meu nariz.
É… Acho que é hora de descer.
Pensa que acabou? Não! Tem o momento mala. Onde as pessoas disputam os espaços com cotoveladas e esbarrões seguidos de: “desculpa”. Mas foi de propósito, afinal ele precisa de um lugar na beira da esteira senão sua mala derrete.
Se o aeroporto é mesmo a nova rodoviária, imagino que a rodoviária deve ser o novo pau de arara.
As distâncias não importam porque uma hora a gente chega. Hoje compreendo muito mais os andarilhos principalmente pelo fato deles se manterem distantes desses ansiosos viciados em filas, odores, cotoveladas e aglomerações.